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Prezados investidores,

 

Nesta 4ª edição da carta temos um importante anúncio a fazer.

 

Quando fundamos a Catálise em 2015 tínhamos um objetivo bastante claro. Levar ao máximo número possível de empresas e investidores o conceito das operações financeiras estruturadas (OE).

 

As OE’s são projetos financeiros customizados desenvolvidos dentro do mercado financeiro não tradicionalmente oferecidos pelas grandes instituições. Esses projetos, quando bem montados, tem o poder de trazer eficiência, sofisticação, flexibilidade e aumento de liquidez e crescimento para empresas dos mais diversos setores. Com o poder de eliminar intermediários entre o investidor e os alocadores de capital, as OE’s podem ser mais um dos canais de apoio da recuperação econômica brasileira.

 

Incursão de novos modelos de negócio, em qualquer setor, não são rápidos, e muito menos fáceis. Por diversas vezes nos sentimos frustrados com o ceticismo por parte de "prospects" já evangelizados em um sistema oligopolista, baseado em poucas marcas e fraquíssimo de informação.

 

O momento pode não ter sido o mais propício para iniciar uma nova empreitada. O ano de 2015 aprofundou a pior crise econômica da história republicana, as empresas em geral estavam mais preocupadas com a sua sobrevivência do que com o crescimento e praticamente não existiam perspectivas de melhora no curto prazo.

 

Ainda assim, em meio a esse cenário adverso, fomos capazes de desenvolver OE’s em diversos setores: agronegócio, varejo, indústria e serviços. A todas essas pessoas deixamos nossos mais sinceros agradecimentos por acreditar em nossas inovações e nos darem a oportunidade de mostrar nosso trabalho. Vamos continuar trabalhando e nos desenvolvendo para que suas OE’s lhes tragam cada dia mais eficiência, crescimento e lucros aos seus negócios.

 

Acreditamos estar passando em um processo inicial de uma revolução silenciosa, mais algum tempo a frente vemos as OE’s como uma normalidade entre as empresas de médio e grande porte no Brasil. Seguiremos fazendo parte desse processo e manteremos nossos esforços nesse sentido.

 

Nosso propósito, o de apoiar o desenvolvimento no mercado de capitais brasileiro, segue firme em nossas metas em um intenso processo de evolução contínua.

 

Porém, no ano passado, já com clientes que somam mais de R$ 8 bilhões em receitas, diversas classes de fundos estruturados e inúmeras carteiras administradas, nos deparamos com uma nova possibilidade...

 

Explico melhor nas linhas abaixo.

 

 

 

REVOLUÇÃO DO MERCADO DE INVESTIMENTOS

 

Enquanto estávamos focados nas OE’s, uma outra revolução, esta já não tão mais silenciosa assim, acontecia no mercado de investimentos de pessoas físicas no Brasil. Empresas de menor porte estavam quebrando o modelo de plataforma fechada dos grandes bancos na distribuição de produtos de investimento.

 

Até meados da década anterior, somente os investidores de grande porte (private banking) e os investidores institucionais tinham acesso aos fundos com estratégias mais sofisticadas. Com valores mínimos de entrada substanciais o acesso dos pequenos investidores a essas estratégias era tarefa bastante complexa.

 

O mercado para os pequenos e médios investidores era fadado as plataformas das grandes instituições financeiras, que como já se sabe, ofereciam estratégias pouco sofisticadas, caras e restritivas.

 

Para acessar os fundos de determinado banco, obrigatoriamente o investidor deveria ter relacionamento bancário com esta instituição. Se o investidor quisesse acessar os fundos de todos os bancos, deveria ter conta bancária em todos eles, encarecendo o processo enormemente.

 

A entrada das plataformas abertas de investimentos no mercado (a mais conhecida delas a XP Investimentos), abriu um novo mundo para os investidores de média e alta renda. Além de golpear fortemente o oligopólio dos bancos, garantiu o acesso a produtos sofisticados para os investidores de menor porte.

 

Após a consolidação do modelo (plataformas abertas), toda uma nova indústria para os fundos de investimentos no Brasil foi criada. Inicialmente, abriu as portas para que milhares de profissionais entrassem para o mercado de investimentos por meio da profissão de agente autônomo de investimentos (AAI). Logo, gama enorme de profissionais deixaram os bancos para tornarem-se empreendedores do setor montando seus próprios escritórios de distribuição ligados as grandes plataformas como BTG PACTUAL DIGITAL, ÓRAMA, XP, GUIDE entre as mais conhecidas.

 

Além dos profissionais da distribuição, outro agente do modelo também ganhou maior número de entrantes, as gestoras de investimentos. Muitos profissionais de gestão de recursos que atuavam em clubes de investimentos, tesourarias de bancos, family offices e corretoras adentraram no mercado criando sua própria gestora e oferecendo suas próprias estratégias de investimentos acessando um número enorme de investidores por meio das plataformas retroalimentando e fortalecendo o modelo.

 

Como uma gestora de investimentos focada nas OE’s, a Catálise assistiu os primeiros anos da revolução do modelo das plataformas abertas de fora do processo. Acreditávamos que nossos diferenciais competitivos eram mais bem aplicados as OE’s do que ao mercado de fundos abertos. Porém, nos deparamos com um grande problema enfrentado por boa parte dos nossos clientes do agronegócio.

 

O PROBLEMA

 

No agronegócio os operadores de grãos sofrem com um sério problema: a volatilidade do preço das commodities. Qualquer produtor agrícola sabe que pode estar produzindo em um determinado momento a um determinado custo, e no momento da venda de sua produção para a indústria corre o risco de ter uma margem muito baixa, em casos extremos, até negativa. Pois como tomador de preço, o produtor não tem capacidade de determinar preços mais altos que a média do mercado.

 

Muitos fatores podem afetar o preço do produto, choques de oferta ou demanda, crises, guerras comerciais entre grandes consumidores, pestes, doenças etc. Mas ainda assim é importante para o produtor conseguir, determinar um preço mínimo de venda para garantir margens mínimas ao seu negócio. Entre o produtor e a indústria existem as tradings, tais empresas operam garantindo preços mínimos aos produtores, armazenando os grãos e executando negociações em escala para a indústria consumidora e exportação.

 

Obviamente, o produtor "transfere" o problema do preço futuro para a tradings. Mas isso não quer dizer que o problema tenha deixado de existir. Por deter capacidade de armazenagem e um conhecimento um tanto mais avançado dos instrumentos financeiros, essas empresas conseguem diluir o problema compensando com escala, eficiência operacional, assertividade na compra/venda, mas mesmo ainda assim, operam com margens bastante apertadas.

 

Ao sermos expostos a esse problema de proteção do preço das commodities pelas tradings e seguindo nosso propósito de catalisar o crescimento de nossos clientes iniciamos nossa busca por uma solução consistente, que amenizasse o problema e potencialmente pudesse gerar uma vantagem competitiva.

 

CONSTRUINDO A SOLUÇÃO

 

A corrida por uma solução levou dois anos de estudo. Fizemos uma intensa pesquisa de situações similares no mercado mundial para encontrar modelos matemáticos. Nos reunimos com uma série de profissionais do setor. Conhecemos pessoas fantásticas durante o processo. Um deles, o maior especialista em derivativos no Brasil nos deu o caminho para a solução. 

 

Passamos mais de um ano testando as operações com recursos próprios até que sentíssemos confortáveis em aplicar a solução nos fundos sob nossa gestão. Com muito cuidado alcançamos uma operação com volatilidade controlada, com boas proteções e bons retornos.

 

A engenharia por trás da solução foi capaz de aumentar em até 1% a margem dos operadores do segmento. Aqueles que conhecem o setor sabem que isso pode significar até 30% de aumento do lucro na empresa.

 

A base da solução foi construída por meio de modelos matemáticos desenvolvidos na Ásia e Leste Europeu. O maior desafio foi adaptar os modelos a realidade do mercado de capitais brasileiro.

 

Podemos afirmar que alcançamos uma operação estável, com riscos controlados com potencial de "turbinar" o ganho de operadores de commodities e reduzir perdas com mudanças drásticas nos preços futuros.

 

Com o tempo percebemos que a mesma lógica poderia ser aplicada outros ativos, principalmente às ações mais negociadas na bolsa, pois estas também podem apresentar mudanças drásticas de preço ao longo do tempo.

 

E é aqui que novos caminhos se abriram para a Catálise. Vamos dissertar sobre a mecânica da operação.

 

OPERANDO COMO SEGURADORA

 

Todo ativo possui três funcionalidades principais.

 

Propriedade: É a mais primária das funcionalidades, é o direito de ter. Um investidor que investe com base na propriedade do ativo está focado nos ganhos potenciais de valorização. Uma casa, um terreno ou uma ação.

 

Usufruto: É o direito de uso. Um ativo tem diversas funcionalidades que podem ser utilizadas por pessoas que não necessariamente são os proprietários. Vender o usufruto é o conceito de aluguel. Um investidor por adquirir determinado ativo não necessariamente por pensando na valorização, mas na venda do usufruto ou melhor, nas rendas geradas pelo aluguel do ativo.

 

Lastro: O ativo ainda tem a funcionalidade de lastro. Que é o seu uso como garantia para compra de outro ativo. O lastro é mais comumente utilizado por agentes que precisam de financiamento e usam um imóvel ou veículo como garantia de uma operação em troca de juros menores.

 

Porém, além das três funcionalidades acima mencionadas temos a ASSUNÇÃO. Tal funcionalidade é pouco utilizada nas operações comerciais, mas tenho certeza que o leitor já teve contato com operações de assunção diversas vezes na vida. Explico melhor abaixo:

 

Imagine que um consumidor tenha adquirido um carro, suponhamos que o valor seja de R$ 100.000,00. Todos sabem que ao sair da concessionária passamos a correr diversos riscos de perda do valor.

 

É possível que o proprietário se envolva em um acidente que gere em perda total do veículo, ele pode ser assaltado e ter seu carro desmontado ou mesmo o motor pode deixar de funcionar inesperadamente. Para se proteger em todos esses casos você contrata um serviço de seguro.

 

Basicamente uma empresa (seguradora) lhe promete que caso um dos eventos que listados acima aconteça num período de doze meses, ela comprará o carro de você pelos mesmos R$ 100.000,00. Mas a seguradora lhe propõe tal situação desde que você pague a ela hoje o valor de R$ 2,5 mil.

 

Se o proprietário aceita a proposta podemos afirmar que a seguradora lhe vendeu a assunção de venda sobre o seu bem (carro) caso aconteça algum evento (sinistro) faça com que o ativo (carro) passe a valer muito menos, até mesmo nada, no limite.  

 

Explicando de outra forma: se algum evento que desvalorize fortemente seu bem (sinistro) acontecer você recebe o valor que pagou (R$ 100 mil), mas se nada acontecer, você perde o valor de R$ 2,5 mil.

 

A seguradora assume um risco contigo e milhares de outros clientes na expectativa de que terá menos sinistros que o total das apólices que vai receber. E você? Com isso poderá sair tranquilamente com seu veículo novo. Parece uma troca justa? Mesmo que não ache justo tenho certeza que a grande maioria dos leitores compra a assunção de venda da seguradora para se proteger contra perdas do seu veículo. Talvez seja por isso que o mercado de seguros seja um dos mais rentáveis do mundo há várias décadas.

 

Perceba, a “assunção de venda” vendida pela seguradora (de que vai lhe comprar o bem em caso de evento de desvalorização) tem valor. No caso descrito é de R$ 2,5 mil. A seguradora não faz esta operação somente para esta situação, obviamente, ela o faz para uma infinidade de outras situações.

 

O ponto mais importante a ser demonstrado aqui é que existe valor na assunção, tanto para compra, quanto para venda.

 

No mercado financeiro a assunção, tanto de compra, como venda de um ativo é operacionalizada por instrumento chamado de opção. No caso da seguradora comumente dizemos que você comprou a opção de venda do seu ativo da seguradora (contraparte) pelo valor de R$ 2,5 mil. Você só fará uso da opção de venda caso seu ativo valha muito menos (sinistro) ou você não tenha mais o ativo por situações específicas (roubo).

 

Ao entender o que é a assunção de compra ou venda do ativo e como tal propriedade tem valor é possível explicar como nossa solução funciona.

 

Ao analisar uma cesta de ativos percebemos que existem certas discrepâncias entre o valor do ativo e a assunção de compra ou venda para prazos longos quando comparamos a assunção de compra ou venda no curto prazo. Tal situação pode ocorrer por vários motivos, o mais comum é pela incapacidade dos modelos matemáticos atuais de precificarem corretamente os instrumentos de assunção de compra ou venda (opções) de prazos mais longos.

 

Ao identificarmos as discrepâncias de preços, operamos como uma seguradora, vendemos uma opção de venda com prazo mais curto e nos protegemos adquirindo, ou o ativo ou a mesma opção com prazo mais longo. Ao fazer isso, apesar de ficarmos expostos (em caso de sinistro) com a venda de um "serviço" (venda de uma opção no curto prazo) recebemos recursos para tal e nos protegemos de uma maneira muito barata adquirindo o ativo ou a opção referente a opção vendida no longo prazo. Mesmo sofrendo volatilidade nos preços ficamos protegidos e aumentamos nossos recursos/retorno durante o desgaste do tempo da operação.

 

A rentabilidade acontece exatamente por conta do desgaste do tempo. Quanto mais passa o tempo menos expostos ficamos carregando os ganhos da operação.  

 

Obviamente, ao expor a lógica da operação, é importante deixar claro que a nossa inteligência se aplica ao como identificamos as discrepâncias nos preços, que depende dos modelos matemáticos desenvolvidos junto aos nossos estrategistas e analistas.

 

Temos então uma operação simples, mas sofisticada, baseada em modelos matemáticos, com riscos controlados e com boas expectativas de retorno.

 

NOVOS CAMINHOS

 

De posse do conhecimento e aplicando a solução com certa consistência chegamos a um momento de reflexão. Por que não levar essas operações ao investidor pessoa física? O dilema levou tempo para ser debatido, como afirmado no início da carta, o modelo inicial da Catálise não foi construído para acessar os mercados de investidores pessoa física.

 

Nosso debate nos levou a revisitar nosso propósito. Ao levar esse conhecimento ao investidor pessoa física estaríamos nós cumprindo o compromisso com o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro? As mudanças que teríamos que fazer em nossa estrutura não iriam prejudicar o bom andamento do modelo inicial?

 

Após meses de reflexão, chegamos à conclusão que devemos sim contribuir também para a revolução que vem acontecendo no mercado de investimentos pessoa física no Brasil compartilhando o conhecimento por meio de um fundo da Catálise direcionado para a pessoa física. Concluímos assim continuar cumprindo nosso propósito, mas agora por mais um caminho.

 

O processo não foi rápido, as áreas de relações com investidores e controle de conta e ordem tiveram que ser criadas. Novos profissionais para a área de análise e operações passaram a fazer parte da nossa estrutura. Passamos por processos de Due Diligence junto a distribuidores para finalmente escolhermos quem seriam os parceiros na nova empreitada.

 

O CWB ISOMETRIC é um fundo de investimentos multimercado que pretende expor até 25% do patrimônio do fundo nas operações com opções. Assim, buscamos retornos consistentemente acima do CDI com boa capacidade de proteção e volatilidade razoável. A meta do fundo é alcançar retornos consistentes acima do CDI.

 

No dia 07/08/2019 demos início as operações do fundo. A distribuição ocorre por meio da plataforma da Órama DTVM, amplamente conhecida no Brasil e na imprensa. Aos investidores que ainda não tem relacionamento com a Órama e desejam se tornar cotistas do CWB é só entrar em nosso site (www.cataliseinvestimentos.com), ir na aba de fundos próprios do site e clicar no link "invista aqui". Você será redirecionado a nossa página na Órama, deverá realizar seu cadastro e seguir as instruções da plataforma.  

 

Qualquer investidor que já tenha relacionamento com a Órama que tenha interesse em investir no CWB ISOMETRIC deve entrar em contato conosco por meio do seguinte e-mail: contato@cataliseinvestimentos.com. Teremos o maior prazer em lhe apoiar para se tornar cotista do fundo.

 

SKIN IN THE GAME?

 

O termo acima pode ser traduzido em algo como "arriscando a própria pele". Seria uma incoerência de nossa parte sermos a entidade gestora do fundo se nós enquanto investidores não tivéssemos nossos recursos aplicados no CWB. Tal prática não faria nenhum sentido para nós pois não brincamos com os nossos recursos e muito menos com o dos nossos clientes.

 

Assim, os sócios do projeto (gestores da Catálise e investidores de “seed money”), optaram por ser os cotistas iniciais do fundo responsáveis por metade do patrimônio inicial em torno de R$ 10 milhões do CWB. Os mesmos riscos, a mesma rentabilidade a mesma estrutura. Estamos com o nosso próprio patrimônio em jogo, demonstrando nossa crença nos resultados do nosso trabalho.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O CWB ISOMETRIC está aberto para captação. As principais informações sobre o fundo estão em nosso site distribuído em dois documentos: regulamento e lâmina.

 

Por questões regulatórias só poderemos divulgar os resultados do fundo após seis meses de funcionamento.

 

Reiteramos que estamos à disposição pelo e-mail: contato@cataliseinvestimentos.com.

 

Grande abraço a todos!

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